Conte em horas, não em anos. Veja quantas precisa e o mês em que pode lá chegar.
«Quantos anos demora?» é uma pergunta mal feita. Sete anos de inglês na escola somam muitas vezes cerca de 700 horas de contacto real com a língua, tão espalhadas que quase tudo se evapora. Uma hora concentrada por dia dá-lhe essas mesmas 700 horas em dois anos, e o que aprende fica.
Portanto conte horas: é o único número que prevê o progresso. Para ter uma escala, uma criança recebe cerca de 12 000 a 15 000 horas da sua língua materna antes de a dominar (estimativa de Diane Larsen-Freeman). A si basta-lhe uma fração disso, porque já sabe como funciona uma língua.
O Foreign Service Institute dos Estados Unidos forma diplomatas americanos em línguas estrangeiras há décadas, e publica quanto tempo demora cada uma: cerca de 600 a 750 horas de aulas para as línguas mais próximas do inglês (francês, espanhol, neerlandês), à volta de 900 a 1 100 para a maioria das outras (russo, turco, finlandês, tailandês) e cerca de 2 200 para o grupo mais difícil (mandarim, japonês, coreano, árabe). Os alunos deles aprendem a tempo inteiro: cerca de cinco horas de aulas por dia, mais os trabalhos de casa.
Para ser rigoroso sobre o que vem de onde: as horas por nível na tabela abaixo são minhas. Registo as minhas horas de aprendizagem há anos, e os meus números batem certo com os do FSI e com a escala ALTE. O que esta calculadora vai buscar ao FSI é a distância entre línguas: as mesmas medições que fazem do tailandês um projeto de 2 200 horas para um americano também dizem quanto mais difícil o inglês é para um tailandês do que para um neerlandês. Essas distâncias tornaram-se os multiplicadores usados aqui, com um ajuste honesto: o rácio mais duro do FSI é de cerca de 3,3x, e eu suavizei-o para 2x, porque o inglês rodeia-o na música, nos filmes e na internet, uma vantagem que nenhum diplomata a estudar tailandês numa sala de aula alguma vez teve. As minhas horas registadas (veja abaixo) caem quase exatamente nesse 2x.
| Nível | Horas | O que consegue fazer |
|---|---|---|
| A1 | ≈ 100 h | Sobreviver: cumprimentar, pedir, fazer perguntas simples. |
| A2 | ≈ 200 h | Dar conta do dia a dia: compras, direções, conversa de circunstância. |
| B1 | ≈ 400 h | Viajar à vontade e contar histórias da sua vida. |
| B2 | ≈ 600 h | Conversar livremente com nativos. Para a maioria das pessoas, isto é «falar inglês». |
| C1 | ≈ 800 h | Trabalhar, argumentar e fazer piadas em inglês. |
| C2 | ≈ 1 100 h | Domínio quase nativo. Mais do que a maioria dos nativos alguma vez usa. |
As horas indicadas são para falantes nativos de uma língua próxima do inglês; a calculadora acima ajusta-as à sua. Regra prática: duplique as estimativas quando as duas línguas estão muito afastadas, por exemplo um tailandês a aprender inglês, ou um anglófono a aprender húngaro.
Não imagine 600 horas de exercícios de gramática: há quem estude gramática durante anos e continue sem conseguir pedir um café. Mas também não salte a gramática; uma pequena dose, no momento certo, poupa-lhe meses de tentativas às cegas. O plano que funciona: 20 a 60 minutos de prática oral a sério todos os dias, com correções, alguma gramática quando o mesmo erro insiste em voltar, e séries e vídeos em inglês de que realmente goste. As horas descontraídas também contam, e o total cresce depressa (música, mensagens, séries...).
Cada frase que aprende torna a seguinte mais fácil. Dois meses depois de começar húngaro, sabia muito pouco, mas usava tudo o que sabia. Dizia uma frase devagar e mal, depois devagar e bem, depois mais depressa, depois sem pensar. É assim que a fluência chega: um tema de cada vez, muito antes de o gráfico dizer que terminou.
Uma última ferramenta gratuita antes de ir: o próprio Gliglish. Fala em voz alta com um professor de IA que o corrige, grátis durante 10 minutos por dia. Experimente já os seus primeiros 10 minutos; na pior das hipóteses, perde 10 minutos. E espreite as outras ferramentas gratuitas para aproveitar cada hora ao máximo.
Sou o Fabien Snauwaert, o fundador do Gliglish. Aprendi inglês, húngaro, russo e espanhol. A minha língua materna é o francês, e hoje em dia uso mais o inglês. Os números desta página não são palpites: registo as minhas próprias horas, e as estimativas acima batem certo com elas. Uma lição de todas essas horas: aprende-se mais depressa quando nos divertimos ao ponto de esquecer que estamos a praticar.
5
línguas que falo
1 738 h
registadas até um certificado C1 de húngaro
1 297 h
registadas a aprender russo, uma língua que uso todos os dias
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